Recém anunciados, os “BDRs Nível 1 não patrocinados” são uma variação dos BDRs comuns (patrocinados), já negociados na bolsa. Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) funcionam como os ADRs (American Depositary Receipts); enquanto os ADRs consistem em papéis (recibos) negociados nos Estados Unidos e lastreados em ações de empresas brasileiras, os BDRs são papéis negociados no Brasil e lastreados em ações de empresas norte-americanas. Dessa forma, os BDRs não patrocinados não têm ligação com as empresas de origem das ações, que não são obrigadas a divulgar informações ao mercado brasileiro e muito menos em língua portuguesa, como devem fazer as que emitem BDRs patrocinados. A instituição depositária divulga informações principais sobre a empresa e dá o acesso aos comunicados na língua de origem da companhia. Outra diferença é que, em um primeiro momento, pessoas físicas não poderão adquirir diretamente os BDRs não patrocinados, como ocorre com os patrocinados. Em 1998, o banco iniciou o oferecimento de ativos estrangeiros na Argentina e, em 2003, no México. Atualmente, com 217 papéis na Argentina e 533 no México, essas operações correspondem a algo entre 15% e 20% do volume negociado em bolsa no primeiro país e entre 20 e 35% no segundo, afirmou Nascimento. “Após tudo isso, chegamos nesse momento ótimo ao Brasil. O País está em um momento ótimo para recepcionar esse novo mercado”, avaliou. Julio Carlos Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&F Bovespa, lembrou a permissão concedida recentemente para que fundos brasileiros invistam no exterior. “Os fundos estão se operacionalizando e se preparando para investir no exterior e esse produto facilita muito a vida deles. Eles não precisam de nenhum instrumento diferente do que têm para comprar ações aqui no Brasil.” Nas duas últimas sessões, a BM&FBovespa realizou, em parceria com o Deutsche Bank, um evento para apresentar o produto a corretoras e gestoras de recursos. Questionados sobre a aceitação do público, tanto Nascimento quanto Ziegelmann citaram a forte participação dos presentes, com grande número de perguntas. Nessa concorrência, Ziegelmann explicou que existe uma fase de pré-qualificação das instituições interessadas, de acordo com seu porte e especificações técnicas para oferecer o produto. Entre as classificadas, será escolhida a que se comprometer em oferecer o maior volume de ativos. Só então, serão escolhidas as 10 empresas para a criação dos BDRs pela própria instituição depositária selecionada. Apesar de não interferir na formação da lista, a BM&FBovespa tem que aprovar os nomes, assim como a CVM. Os critérios, segundo Ziegelmann, são apenas dois: se a empresa tem boa liquidez no exterior e se é listada primariamente (em um primeiro momento, não serão criados recibos de recibos). A estimativa de Ziegelmann é de que o segundo lançamento aconteça em meados de setembro e, para o final do ano, a BM&F Bovespa avalia abrir nova concorrência para um terceiro lançamento no início de 2011.
27/05/10 - 19h50
InfoMoney
Por: Equipe InfoMoney
Patrocinado e não patrocinado?
A principal diferença entre os BDRs patrocinados e os não patrocinados está na instituição depositária, ou seja, a responsável pela emissão e registro dos ativos negociados no País. Enquanto os BDRs patrocinados são emitidos pelas próprias empresas estrangeiras, os não patrocinados são emitidos por uma instituição financeira independente.
Início
Em 2004, o Deutsche Bank procurou a BM&F Bovespa e sugeriu o novo produto. O diretor da área de custódia do banco no Brasil, Ricardo Nascimento, explicou à InfoMoney que a iniciativa se deu por conta de duas experiências semelhantes e bem sucedidas na América Latina.
Demanda
Nascimento considera “complexa” a avaliação da demanda brasileira para esse produto. “Temos papéis de primeiríssima linha listados aqui no Brasil. Então, esses papéis que estamos trazendo vão concorrer com esses ativos. Pelo o que vimos em outros países, existe uma curva de aprendizado que demora de dois a três anos”, disse. “Então só vamos poder dizer se os BDRs foram um sucesso daqui a três anos.”
Não para por aí
Ziegelmann afirmou que na próxima segunda-feira (31) termina o prazo de concorrência das instituições depositárias para o segundo lançamento de um novo lote de 10 BDRs não patrocinados. No primeiro lançamento, o Deutsche Bank foi escolhido por conta de sua forte atuação na elaboração do produto, mas daqui para frente haverá sempre concorrência.
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