Bolsa pode apresentar recuperação, mas dependerá de decisões vindas da Europa

Por: Equipe InfoMoney
21/05/10 - 19h06
InfoMoney


SÃO PAULO - Após seis quedas consecutivas, finalmente o Ibovespa conseguiu fechar em campo positivo nesta sexta-feira (21), com uma alta expressiva de 3,55%. No entanto, o fôlego de hoje não foi capaz de apagar a queda semanal de 4,97%, embora tenha sido suficiente para que o Ibovespa recuperasse o patamar dos 60 mil pontos, rompido durante os últimos sete dias.

Para Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW, existe uma explicação para a tendência negativa ter agido com mais força por aqui: as incertezas na Europa geraram uma queda muito grande nos preços das commodities, movimento influenciado também pela saída do investidor estrangeiro dos mercados de risco.

A alta desta sexta, por sua vez, pode ser explicada por dois vieses: Galdi aponta para um respiro técnico em um mercado dominado por preços muito baixos. Para Júlio Mora, operador sênior da TOV, o movimento pode ser atribuído também a uma expectativa pelo desfecho da reunião dos ministros das Finanças dos países europeus, que estarão reunidos ao longo do final de semana com o intuito de chegar a acordos para amenizar a tensão nos mercados.

Reunião na Europa
Tanto Galdi quanto Mora acreditam que esse encontro será o grande driver da semana. Ambos apostam que os líderes serão obrigados a anunciar algum tipo de medida que acalme os investidores. Para o estrategista da SLW, notícias positivas devem impulsionar os mercados em todo o mundo, mas especialmente aqui no Brasil, onde a alta deve ser "forte e rápida".

Por outro lado, se nenhum acordo foi obtido ou se o anúncio não for bem recebido, Galdi acredita que o Ibovespa apagará os ganhos obtidos nesta sessão e abrirá mais espaço para cair.

Indicadores econômicos
Desse modo, não serão os indicadores econômicos os agentes capazes de acalmar as turbulências nas bolsas, avalia Mora. "É claro que um indicador muito ruim ou muito bom pode ter impacto negativo ou positivo, mas o foco de tensão é a Europa". Galdi é da mesma opinião: o estrategista acredita que os indicadores da semana, como a segunda prévia do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA, por exemplo, serão positivos, mas não suficientes caso a Grécia continue a atrapalhar.

Por outro lado, enquanto o pessimismo toma conta, os preços baixos podem significarboas oportunidades de compras. Mora acredita que é um bom momento para adquirir papéis de primeira linha, que no último mês acumularam queda muito expressiva, como Gerdau (GGBR4), Vale (VALE5) e Petrobras (PETR4).

"Eu sou muito a favor de aproveitar quedas irracionais e pessimismo para comprar ações", declara o operador da TOV. E o oposto também é verdadeiro. "Quando está tudo muito bom, muito otimista, também tem que aproveitar pra vender", mas sempre de maneira equilibrada, alerta Mora.

A ressalva de Pedro Galdi é outra. Embora existam oportunidades para investidores de longo prazo, "porque a bolsa é cíclica e com certeza irá se recuperar mais para frente", para aqueles visando o curto prazo o cenário exige bem mais cautela, porque novas quedas ainda não estão descartadas.

Em resumo, ambos acreditam que a volatilidade deve continuar, com os mercados ainda tensos. Perguntado sobre qual a tendência que deve dominar o Ibovespa nesta semana, Júlio Mora dá uma resposta que faz da pergunta uma obviedade: "é difícil de se prever alguma coisa com o grau de instabilidade, volatilidade e incerteza presentes no mercado".

Fonte:www.infomoney.com.br


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